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Poema escalado




Ao sopé da folha em branco
esmaeci ao vislumbrar teus mistéiros, poesia,
como quem não fantasia, pois o real estremece.

Mas segui. Disse a mim mesma: segue! Passo calmo,
que logo a frente um significante ficará sem significado.

E prevendo já o imprevisto, escalei duas léguas-estrofes
como quem não sabe o norte em noite sem cruzeiro do sul.

Quase sucumbi ao ter visões facínoras entre nós,
eu e ela, a poesia.

Invoquei as Musas e as Graças... devo ter invocado erradamente,
pois nesta noite meu único abrigo fora uma caverna onde deixei
o corpo sangrar.

Lembro, assim, da noite tempestuosa...
escalei seis léguas-estrofes
como quem não sabe o norte em noite sem cruzeiro do sul.

Amanheceu. Percebi o sangue seco na pedra.
Descubro, surpresa, que sobrevivi.
As Musas devem ter passado ali, sim. Então uma fada cantarolou lá da
luz que vinha de dentro, como da luz que vinha de fora criando imagens na caverna:
- Vem que já passa da hora, vem escalar sua história!
E acordando, assim, escalei oito léguas-estrofes
como quem não sabe o norte em noite sem cruzeiro do sul.

E aceitei o convite mais uma vez,
seguindo caminho outrora distante.
Paisagens nativas, outras nonsenses:
besouros, morcegos, borboletas e flores...
um tigre, um lobo, o mamute e uma serpente.
Nada me deteve ou contrangiu, nem a visão de mundo recorrente.

E subindo, assim, escalei dez léguas-estrofes
como a quem não importa a falta de norte em noite sem cruzeiro do sul.

Como quem é água corrente, mas coerente.
E como tal desci a montanha em gotas de chuva,
e subi novamente em vapor,
até bem acima da montanha inicial,
escalada em onze léguas-estrofes.

By Tânia B.

INCOMPLETUDE

QUANDO A ÁGUA JORRA DESSA ESTRANHEZA ATRAVESSANDO O SER,
ESTE AGUAR PELA COMPREENSÃO DE QUE TUDO QUE HÁ É O POSSÍVEL,
TUDO, ATÉ O FUNDO DO PRÓPRIO FUNDO,
E O CÉU DO PRÓPRIO CÉU,
ABISSAL INFINITO:
INCOMPLETUDE.

PASSAMOS
PELO

BU
RA
CO

NEGRO
DA EXISTÊNCIA
A COMPREENSÃO
É UM EVENTO ORIGINAL,
AUTO-PARTO DE TUDO ANTES MUDO.

PLENO NA QUIETUDE GRITANTE DO SOM.
INFINITO DES-ENTERRADO DE ETERNIDADES.

T. Barros