A literatura

Ela foi e continua sendo discutida, falada, analisada sob vários aspectos, idealizada por muitos que acham possuir só uma forma, também continua sendo desmistificada. Velha companheira de homens, mulheres e crianças de todos os tempos, o importante é que a Senhora Literatura está mais viva do que nunca.

Com o evento da internet que trouxe não somente novos leitores como também novos escritores, esta que é uma das mais difíceis artes vem solidificando espaços novos como os sites culturais, e-books e blogs, também especificamente literários. Espaços estes onde se formam verdadeiros saraus cibernéticos nos quais se comenta a literatura informalmente e acadêmicamente.

Se por um lado nesta escritura há uma sorte imensa de temas e estilos facilmente aceitos por uma parcela de leitores pouco habituados com a diversidade neste campo cultural, por outro lado há de se pensar que tal processo é natural, sendo uma etapa inicial da atividade sensível e reflexiva. Podemos, talvez, vislumbrar adiante um desdobrar muito interessante no que toca o nível de leitura, de subjetividade e expressão escrita no Brasil.

Leitura e escrita

A leitura deve sempre fazer parte desse universo criativo, até para que aquele que escreve tenha uma idéia do que já foi realizado, e o que está sendo criado contemporaneamente. Tanto textos de ficção em prosa e verso, como críticas, artigos, ensaios.
O importante é que tal processo vai além do aspecto da leitura do mundo e do conhecimento teórico. Refiro-me ao refinamento espiritual e intelectual da pessoa que escreve e lê. Refiro-me também à possibilidade de participar da vida, da arte, ser um agente do deslocamento daquilo que está cristalizado na língua. Só a literatura proporciona isto.

Representação do real

A literatura é a representação do real. Segundo Barthes, em sua “Aula”, o real não é representável, mas demonstrável. E ainda com Lacan, o real é o impossível de ser atingido, escapa ao discurso.

E a história da literatura é a história de se tentar demonstrar este impossível, este real. É a afirmação do delírio, no salutar sentido de escapar ao aprisionamento da língua. E o deslocar-se é aparecer onde não se é esperado. É fazer sentido num espaço outro, reinventando as possibilidades, e impossibilidades. Como já dizia Cecília Meirelles, “a vida só é possível se reinventada”.

Vasto campo de estudos

A Literatura é um campo onde nada é definitivo. Cada época e cada obra tem seus aspectos mais ou menos diferenciados. Há uma gama incrível de ensaios, teses, artigos sobre o cânon literário, advindos dos acadêmicos da área de Letras com leituras as mais diversas nos campos dos saberes humanos como Sociologia, Semiótica, Psicanálise. Mas é importante dizer que a literatura não é apenas feita dos textos eleitos por uma elite.

Infelizmente nossas faculdades passaram muitos anos deixando à margem de suas pesquisas diversos grandes autores. Aos poucos esta postura vem sendo revista. Inclusive, aos poucos, também, vão se revelando os novos autores que se fizeram e se fazem conhecer primeiramente pela internet. Este é um ponto importantíssimo de análise para aqueles que seguem a carreira de pesquisa em Letras: iniciar um estudo sobre o novo movimento mundial no fazer literário, ou seja, identificar, relatar e analisar este histórico momento quando mais uma vez o avanço tecnológico (vide o surgimento da imprensa) determina e/ou renova hábitos culturais.

Temos aí um vasto campo, seja pela quantidade de textos, pela forma como são divulgados e pelo processo de produção mesmo do texto, sua gênese. Neste caso da literatura que vem se fazendo/divulgando no suporte internet, ou mesmo fora dela, é, na maior parte das vezes, atualmente, feita com um editor que apaga o texto original (outra opção seria abrir um novo documento para cada mudança). Verificamos neste ponto uma pauta para a Crítica Textual (disciplina que procura restaurar o texto original de um documento, que foi alterado no processo de cópia e recópia, escrita e reescrita).


Por T. Barros

Nenhum comentário: